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Sarau do Casulo Celebra a Cultura Indígena no Real Parque

No dia 09 de abril aconteceu o primeiro #SarauNoCasulo de 2016, com o tema “Cultura Indígena”.

No mês em que se celebra o “Dia do Índio”, o Projeto Casulo dedica seu tradicional sarau aos povos originários do Brasil, especialmente aos Pankararus – etnia que representa cerca de 20% dos moradores da comunidade Real Parque.

Em parceria com a Associação SOS Pankararu e com a participação de indígenas das etnias Fulni Ô e Kariri Xocó, que residem em outras regiões da cidade de São Paulo, foi realizada a “Dança das Praiás”, um ritual de cura Pankararu. A decoração do refeitório e da quadra – onde aconteceram, respectivamente, o almoço preparatório e o ritual – ficou por conta dos alunos da EMEF José de Alcântara Machado que, sob orientação do professor Leno Vidal, estão trabalhando com o tema “Raízes Pankararu” nas aulas de arte.

 Uma equipe da TV Gazeta registrou o evento e entrevistou a assistente social do Casulo, a Pankararu Selma Lenice, para o programa Cidade Ocupada. O episódio, que trata de indígenas em contexto urbano, pode ser assistido aqui  http://www.tvgazeta.com.br/videos/estamos-exterminando-os-nossos-indios-programa-completo/).

Um pouco de história

A migração dos Pankararus de sua aldeia no sertão pernambucano para a cidade de São Paulo foi intensificada nas décadas de 1950 e 1960. Os indígenas eram agenciados para trabalhar na construção civil, com destaque para as obras do estádio Cícero Pompeu de Toledo, da sede do grupo Bandeirantes de Comunicação e do Palácio dos Bandeirantes, todas na região do Morumbi.

A ocupação irregular de pedaços de terra nas margens do Rio Pinheiros, local de chegada na capital paulistana e entorno dos alojamentos preparados para os operários, por parte de trabalhadores migrantes (não apenas indígenas) deu origem a uma favela conhecida como “Favela da Mandioca”, que – situada no bairro do Real Parque – mais tarde assumiu o nome de “Favela Real Parque”. Atualmente a favela está quase completamente urbanizada e nela moram mais de 5 mil pessoas, das quais cerca de 1 mil são Pankararu.